O Bonde no Brasil e no mundo III: o renascer Carioca

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✍️ Por Mozart Rosa, e colaborações de Carlos Eduardo, professor; e Thales Veiga, arquiteto
📅 23/06/2020
🕚 21h52
📷 Capa: internet

 




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Após a leitura, estudos, pesquisas e constatações chegamos a algumas conclusões e propomos assim a adoção de ações que são simples de se implantar e viabilizam uma futura privatização do sistema. A ação inicial é resguardar o Bonde histórico. Não defendemos, de modo algum a retirada do Bonde Histórico, modelo “Bataclan” ou “Bonde tropical” de serviço. Apenas que ele não seja mais a ESSÊNCIA da frota, e sim uma exceção usada em pacotes turísticos fechados, datas comemorativas, eventos… mas em operação convencional, para o usuário em geral, apenas UMA VIAGEM POR DIA e nos finais de semana, sempre com um Policial Militar em seu interior.

 

Propostas da AFTR — Trazendo o Bonde Para o Século XXI

O Bonde de Santa Teresa, do ponto de vista operacional que pode alcançar, é um fracasso técnico e comercial, transportando atualmente 3.000 passageiros/mês em bondes caros, verdadeiras gambiarras. Talvez seja o menor sistema de transporte público do Brasil. Já deveria ter sido remodelado, mas, como mostrado. Forças políticas espúrias impediram isso.

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Nossas propostas visam por meio de uma série de pequenas intervenções, aliadas à compra de novos veículos, aumentar a utilização atual de 3.000 passageiros/mês para 525.000 passageiros/mês, tornando o negócio atraente para o empresariado, que será o responsável por concluir as intervenções para a melhoria do sistema.

Inicialmente será preciso iniciar a troca da frota por veículos modernos, FECHADO, biarticulados e de operação bidirecional com capacidade para 120 pessoas, eliminando assim a necessidade de “peras” de manobra. A tecnologia e engenharia atual permite usarmos bondes modernos fechados, com amplas janelas, mas com a frente imitando os modelos antigos.

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Não importa quanto surjam opiniões contrárias dos moradores ou de outros entusiastas: são vidas em risco e a operação com os veículos atuais é e sempre será deficitária, e em muitos casos insegura. É preciso uma postura firme do governo estadual. Lembrando que os Bondes atuais, réplicas dos antigos, não deverão sair de circulação, o que não defendemos. Defendemos que eles não sejam aposentados, mas que para o serviço comercial de passageiros se deva utilizar um sistema mais moderno.

 

Abaixo propostas de ações para ampliação do sistema

1ª Ação — Nova Estação Terminal

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Nossas propostas começam com a mudança da estação Terminal do local atual, escondido e com pouca visibilidade, para a Praça do Expedicionário, ao lado do fórum do Rio. A estação atual foi colocada ali de forma provisória, a pedido do ex-governador Chagas Freitas na ocasião da construção da estação do Metrô e de readequações urbanísticas feitas em toda a região do Largo da Carioca, e acabou virando estação definitiva.

Atual terminal dos Bondes de Santa TeresaFoto: Julia Lanz
Atual terminal dos Bondes de Santa Teresa Foto: Julia Lanz

 

Pode ainda o Bonde descer pela Rua Almirante Barroso e subir pela Av. Nilo Peçanha, tendo uma grande estação na Praça Melvin Jones, em frente à futura sede da ALERJ e se integrando ao VLT. Aqui não apresentamos nenhuma novidade, é o retorno a uma operação já existente, dando assim visibilidade ao Bonde que atualmente está praticamente oculto. Santa Teresa tem enorme vocação para o turismo com vários Hostel’s já existentes e vários outros podendo ser construídos. Mas o transporte ruim atrapalha o desenvolvimento desse setor, e o Bonde pode fomentar isso.

É um trajeto de mão dupla, de um lado pessoas querendo subir para conhecer o Bairro, do outro, hóspedes querendo descer para o centro. E área mais central da cidade do que a escolhida para a nova estação, impossível!

Esse novo local de terminal cria uma inédita integração com o VLT, cumprindo sua intenção de integrar todos os modais.

 2ª Ação — Estação Nerita Kelly

ESFECOEstrada de Ferro Corcovado tem feito vultosos investimentos para aumentar o volume de passageiros transportados. Recuperando a Estação Nerita Kelli será possível criar uma linha expressa fazendo a ligação Centro x Silvestre. Entretanto, não temos ainda estudo sobre o aumento de passageiros transportados pela ESFECO com essa proposta.

Estação Silvestre/Nerita Kelly, integração Bonde de Santa Teresa e EF Corcovado
Estação Silvestre/Nerita Kelly, integração Bonde de Santa Teresa e EF Corcovado

 

Uma inédita ligação expressa entre Centro do Rio x Cristo Redentor, acreditamos ser algo que interesse à ESFECO.

Essa linha será usada também para operações convencionais. A Estação Nerita Kelli, além de estação mista de acesso ao Corcovado, funcionará como base da PMRJ que atualmente no mesmo local possui um contêiner para guarnição da tropa. O espaço também servirá para venda de souvenirs e outras conveniências.

Além disso, uma operação confiável e regular possibilita retirar os ônibus que atualmente atendem à população do bairro e que, com seu peso, destroem o calçamento e pavimentação da região.

Um serviço confiável saindo do centro em local de extrema visibilidade incentivará o uso do modal. As pessoas esquecem que o bonde existe, por estar escondido, e vejam que mesmo assim ainda o usam. Imagina com maiores visibilidades? E essa é uma opinião endossada por vários Guias de Turismo.

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3ª Ação — Ramal Gomes Freire

O retorno da operação do ramal Muratori, podendo chegar na Av. Gomes Freire, atende ao turista e ao morador local e pode, dependendo do trajeto escolhido, servir como opção de modal de trajeto curto em trechos do Centro da cidade, aumentando o faturamento do sistema. O VLT por conta disso, e a cada dia, conquista mais pessoas, com a interligação da região central da cidade e sua velocidade, que hoje é maior que em seu início de operação. O mesmo pode acontecer com o Bonde de Santa Teresa. É possível ainda com essa linha chegar à Central do Brasil ou à igreja de São Jorge, na Saara, aumentando as possibilidades comerciais do negócio.

 

4ª Ação — Ramal do Alto da Boa Vista.

É possível também no futuro estender a operação da estrada das paineiras até o Alto da Boa Vista, chegando à Floresta da Tijuca, outro cartão postal do Rio de Janeiro. E ainda por cima saindo do Centro do Rio, o que para o turista é fundamental. Lembrando que no Alto da Boa Vista existe um prédio atualmente com outro uso que foi sede de oficina dos bondes que serviam o local.

 

Considerações Finais, Aspectos Comerciais.

Um sistema que transporte 525.000 passageiros mês, ou aproximadamente 17.500 por dia, mesmo com viés de alta, não tem grande apelo comercial. Financeiramente é algo pequeno, mas pode despertar interesse pela visibilidade da operação. É um modal turístico conhecido internacionalmente, mas que está hoje, por questões políticas do passado, pessimamente utilizado e operado. Um sistema que totalmente recuperado, pelos locais que passa e pelos locais que pode passar, tem um grande interesse turístico.

O VLT Rio, a ESFECO, ou ambas em parceria, são fortes candidatos a absorver o serviço, usando inclusive a mesma forma de cobrança.

Pelas características do sistema, um sistema de cobrança como o VLT parece ser bem adequado. Hoje é um passivo, que com essas modificações pode se tornar um ativo, com visibilidade internacional. O uso no sistema de alguns veículos mistos: Cremalheira x Livre aderência, como mostrado em nossos vídeos anteriormente, viabiliza a ampliação substancial do sistema, podendo chegar ao bairro da Glória. E nada impede a criação de novos trajetos.

Agradecemos a leitura e esperamos ter a sua companhia nos nossos próximos artigos.

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Até a próxima!

Autor

  • Mozart Rosa

    Iniciou sua carreira profissional em 1978 trabalhando com um engenheiro que foi estagiário da RFFSA entre 1965 e 1966, que testemunhou o desmonte da E.F. Cantagalo e diversas histórias da Ferrovia de Petrópolis. Se formou Engenheiro Mecânico pela Faculdade Souza Marques em 1992, foi secretário-geral Trilhos do Rio no mandato 2017-2020 e atualmente ocupa o cargo de redator do site, assessor de contatos corporativos e diretor-técnico.

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